tiempo y silencio – cristóbal repetto

Tapa Tiempo y silencio - Cristóbal Repetto fb

Você não vai mirar Cristóbal Repetto em algum programa de auditório ou ondulando em alguma FM. Ele não grita, navega em pianíssimo e faz as notas mais fortes soarem delicadas. Caso não o conheça, pare, olhe e escute.

Provavelmente terá uma sensação estranha nos primeiros minutos, nossos ouvidos maltratados com tantas coisas iguais, acende um sinal ruidoso ao diferente, mas creio que você não hesitará em avançar. Seu timbre modula uma sonoridade extremamente particular, um contratenor perdido no tempo, que parece sair diretamente de um aparelho de rádio antigo.

Seu repertório, baseado no tango, milonga e folclore argentino, parece resgatado como um imã. Os arranjos e melodias conspiram para um natural encantamento e entendimento de sua arte, de alma tão simples e naturalmente sofisticada.

Natural de Maipú, cidade próxima de Mendonza e a poucos quilomêtros da cordilheira, escutá-lo pede um bom vinho ou um mate bem feito, mas sobretudo, pede silêncio e atenção.

Espero que apreciem e o consumam. Assim como faço desde a primeira vez que o escutei.

Foto: divulgação Cristóbal Repetto
Para escutar seu álbum mais recente: https://goo.gl/msqDIw
Para comprar: https://goo.gl/FK15jh
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influenza tipo b(orges)

Quando certa manhã Jorge Luís Borges acordou de sonhos intranquilos encontrou-se em sua cama transformado por um poema monstruoso. O escritor se levantou e pediu à sua secretária Maria Kodama que pegasse papel e caneta. Queria ditar os versos antes que a memória do sonho se dissolvesse.

Kodama caminhou até a escrivaninha do quarto do hotel e anotou o ditado. Naquela época, meados dos anos 70, ela já mostrava sinais da devoção que a tornaria famosa uma década mais tarde, como viúva e herdeira do grande escritor argentino.

Borges disse os versos de uma vez só, quase sem interrupções. E deu ao poema um título em alemão, “Ein Traum”, que significa, “Um sonho”. Sem nenhuma revisão ele foi publicado em 1976 pela editora espanhola Emecé. Kodama estranhou: Borges sempre usava sonhos como fonte de ideias, mas costumava corrigir e revisar seus textos obsessivamente – sobretudo os dos poemas, que a seu ver era a forma mais elevada de expressão artística.

Anos depois, quando eram mais íntimos, Kodama relembrou o episódio naquele hotel do Meio-Oeste dos Estados Unidos. Perguntou a Borges por que nunca corrigira “Ein Traum”. O poema seria melhor que os outros, seria a sua criação máxima? “Não, aquele poema não é meu”, Borges respondeu. Explicou que fora outro autor que aparecera no seu sonho para ditar as linhas. E o mesmo jamais retornara para emendá-lo. Só o autor do poema – o Outro, o Mesmo – teria direito de revisá-lo.

“Quem me ditou aquelas linhas” disse Borges, “foi Franz Kafka”.

Artigo de Alejandre Chacoff – Revista Piauí (nº 78- Março 2013)

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