vincenzo

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Esse é o Vincenzo. Napolitano gente boníssima! Mora em Bologna faz um ano. Sabe tudo da cidade. É um guia? Não, é um operário que trabalha na restauração da Igreja de San Petronio e fica de olho no fluxo de visitantes e a comunicação com o térreo.

A comunidade aproveitou o vai e vem
das obras e construiu um mirante temporário, com elevador, não tão alto como a Torre degli Asinelli e seus 498 degraus estreitos que devem ser quase que escalados. Mesmo assim, optamos por também subir pelas escadas mais católicas, o equivalente a 12 andares. Fichinha pura perto da torre.

Do alto mais uma bela vista da vermelha Bologna e sua arquitetura medieval. E por ali também conhecemos esse napolitano, uma verdadeira peça de simpatia, que “pedia” aos amigos operários pararem de fazer barulho para podermos conversar mais tranquilamente sobre amenidades. “Felipe, desculpe o incômodo, são operários, não têm modos”. E todos riam. Martelavam em seguida. E logo voltavam com alguma outra.

Nos presenteou com uma peça antiga de metal forjada a mão, que seus amigos tinham acabado de encontrar pelo telhado. Fomos testemunhas do achado “arqueológico”. Disse que era uma “obra de arte”, dessas que não se produzem mais na construção civil. Não, obrigado, imagina…”como podem recusar minha oferta?” Não recusamos então.

Quando um visitante chegava, logo sua língua salivava para poder apontar alguma coisa. Depois que lhe disse que eu era seu ‘Fratelli d’Italia’, a coisa ficou ainda mais solta e interativa com quem aparecesse.

O elevador industrial obriga a comunicação com o térreo. Faz de tudo para que as pessoas voltem de escada. Quem optasse por descer de elevador ganhava um saco de ironias entre os comunicadores, que em qualquer dialeto se fazia entender. Mais um motivo para descermos a pé, evidente.

Disse com humildade que sabia de tanta coisa da cidade porque passa dias e horas no mesmo local, era quase que uma “obrigação”. Comentei que tantas pessoas passam a vida em um mesmo lugar e não esboçam interesse nem no que está na frente do próprio nariz. Ele afirma que não é um conformista. Disse a nós com olhar firme, que se estivesse em cima de uma pedra deserta, trabalharia com a mesma paixão. Isso é o que lhe move. Não duvidamos.

Claro, na foto uma última de Vincenzo. Disse que só subindo na cadeira faria esse registro comigo. Desceu apenas para não tapar a Torre degli Asinelli. Uma figurante, obviamente.

Autor: Felipe Gavioli

Um disparo despido de interação com a cena é música sem alma para mim. É preciso um fio de intimidade, nem que seja algo momentâneo, simples, mas tecido com alguma dignidade. Meus arranjos fotográficos são construídos pelas caminhadas, arquiteturas, histórias, sons e culturas que me são apresentadas. Peço licença ao mundo tão cheio de coisas, quando então apresento uma nova imagem. Que ela seja silenciosa e, se falar, que fale bem baixinho na mente de quem as observa.

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